Os "nóias" e as vítimas

Um adolescente de 15 anos matou um rapaz de 22 após uma briga em um cruzamento. A discussão era antiga e havia rixa pessoal entre eles, ou, como o diria o adolescente infrator, o morto era um "nóia" que roubava outros adolescentes por aí. O próprio matador já cometeu alguns furtos, o que faz dele outro nóia e teoricamente forte candidato a levar um tiro.

E a morte do rapaz já seria problema suficiente, não fossem todos os outros dramas que ela revela. O primeiro, mais óbvio, da criminalidade juvenil e do adolescente que vai para a Febem, onde deve encontrar outros "nóias" e sabe-se lá o que acontece.

Depois, o caso revela a facilidade para ter armas. O adolescente, de 15 anos, família de baixa renda, comprou o revólver, o que mostra quanto é injustificada a surpresa na suspeita de que grandes traficantes estejam por aí com bazucas.

Mais que isso, explode na cara do cidadão a falência do poder público. O tal matador já tem registro na polícia por furtos. Ou seja: já vinha dizendo à sociedade que não estava enquadrado, o poder público sabia disso e não fez nada.

Ou fez: aumentou a crise social e econômica em que ele estava enfiado, aumentou a situação de insegurança que permitiu a ele virar um explorado por "nóias" e um matador sem qualquer arrependimento ou culpa. Falar agora que o Estado vai recuperá-lo na Febem é de uma indecência sem tamanho.

Mesmo que o rapaz resolva virar reencarnação da irmã Dulce quando sair do internato - apesar de as chances serem todas contra ele - o Estado teve oportunidade há tempos de intervir, quando o menino era apenas um ladrão em pequenos crimes. Algum "nóia" que deveria cuidar do atendimento social falhou.

Como há "nóias" de terno e gravata falhando - por ação criminosa ou omissão - todos os dias, sem falar nos "nóias" que roubam o cidadão nas obras superfaturadas, na compra de votos no congresso, nos contratos suspeitos como do Sivam e ainda estão posando de intelectuais por aí.

E aí o problema mais grave. Nesses nóias ninguém atira, ninguém consegue chegar perto - a não ser em tempo de eleição - e o povo, roubado ainda elege os mesmos e alguns seguidores de quatro em quatro anos. Os "nóias" tomam conta e as vítimas vão se esparramando pelo país.

Rogério Martinez
Editor assistente da Central Marília de Notícias

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