Quando liberar o filho para viajar sozinho
Ah, férias! Depois de reuniões, dos presentes, das festas familiares, vêm as férias. E, jovens, adoram sair com a turma, viajar, não ter horário para dormir, fazer farra por aí, freqüentar baladas. É natural que os adolescentes queiram sair com os amigos em vez de ficar com a família, é normal que queiram ir à praia com a turma, viajar sem os pais. E eles querem aproveitar cada hora do período de férias para diversão.Muitos pais se preocupam em saber qual a idade certa para deixar os filhos fazerem a primeira viagem sem um adulto responsável.É para se preocupar mesmo, mas não o suficiente para rejeitar de imediato a possibilidade. Sim, sim, mais cedo ou mais tarde eles vão desgarrar-se, então o melhor é que façam isso progressivamente e com o acompanhamento dos pais.Idade certa não há, e isso os pais sabem. Não basta ter 15, 16 anos para ter alvará para viajar sozinho. É preciso que, antes, o jovem adolescente tenha começado a aprender a ser responsável com horários combinados e atitudes acertadas com os pais, saindo nos finais de semana, por exemplo, com os amigos da turma. E hoje, em dia, é bom estar atento e acompanhar de perto os filhos nas primeiras saídas, porque as bebidas alcoólicas estão em quase todos os lugares que eles freqüentam. Nas férias, então, nem se fala! Parece que elas se tornam parte obrigatória da diversão. Mas não são - ou não precisam ser. Nem todos os jovens gostam ou têm vontade de experimentar as bebidas servidas nas festas, por exemplo, mas muitas vezes começam pelo simples fato de ser mais fácil aceitar do que recusar. E não se trata apenas da pressão dos amigos: há o próprio anseio de sentir-se livre para fazer o que acha que quer fazer, de saber se relacionar com os novos componentes que surgem na vida, agora livre da vigilância dos pais. E, é claro, há os que conseguem estabelecer uma relação equilibrada com as bebidas, mas há os que não conseguem. E como saber qual será a reação do filho? Não há como saber, não há como confiar. Há como monitorar. Muitos adolescentes não vão ter facilidade para fazer isso sozinhos por motivos diversos. Como me disse um de 16 anos que costumava beber demais em todas as festas a que comparecia. "Depois que começo a beber, não consigo parar". Se um adulto tem dificuldade em controlar seus impulsos de comer ou de beber em determinadas ocasiões, é fácil entender que o jovem tenha também. Quem é que consegue fazer uma dieta, deixar de comer ou beber algo de que gosta, sem muito esforço para se conter? E por isso mesmo os filhos precisam de ajuda: para aprender que é possível se controlar. Custa, dá trabalho para todos os envolvidos, não é fácil, mas é tarefa dos pais, que não pode ser delegada a mais ninguém. E não vai ser justamente na primeira viagem independente de adultos que os filhos vão aprender isso. O aprendizado precisa começar bem antes. E não basta, para tanto, conversar, argumentar, mostrar os riscos da bebida em excesso. É preciso mais: é preciso uma vigilância, mesmo que discreta, para saber quando intervir, quando entrar com medidas mais firmes. É assim que o jovem pode aprender a dosar seu comportamento e as doses de bebidas alcoólicas ingeridas: inicialmente, para preservar a liberdade que começa a ter. Quando chega a hora da primeira viagem sozinho, ainda é bom manter algum elo que funcione como referência, como norte. Um telefonema para os pais, feito em dias ou horários conforme combinado antes, por exemplo, pode muito bem servir de limite para o filho que, sozinho com a turma, pode perder-se de seu jeito de ser e entrar numa roubada. O compromisso de falar com os pais, mesmo à distância, pode ajudar a trazê-lo de volta ao seu mundo habitual, que tem regras e limites, mesmo nas férias.
Texto de Rosely Sayão - Psicóloga
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