Temos que nos assumir e nos perdoar, somos seres humanos e todos nós erramos. Espero que meu relato possa ajudar muitas pessoas, pois essa é minha principal intencäo, gostaria muito de fazer mais, pois quero transformar tudo de ruim que fiz em coisa boas, talvez seja essa a minha missäo. Hoje tenho uma força muito grande gracas ao ESPORTE, e gostaria de mostrar as pessoas que estäo passando pelas dificuldades que passei ou até mais do que passei, que esse é um caminho legal pra seguir. > Aí vai minha história... Gracas a Deus hoje posso dizer boa tarde com muito orgulho de estar vivo e cada vez mais feliz! Eu sou o Paulo, tenho 32 anos, nasci e moro em Bauru e trabalho na Universidade do Sagrado Coracäo. A história que vou contar näo deve ser diferente das muitas outras que já lhes foram enviadas, mas tem um final estremamente surpreendente e feliz. Tive uma vida normal até meus 9 anos de idade, com pai, mäe, irmä, enfim uma família, uma casa, um carro, comida, dinheiro, brinquedos, escola, amigos, paz e harmonia. Harmonia essa que era quebrada as vezes com as bebedeiras de meu pai que as vezes ele e minha mäe näo conseguiam esconder e pelas brigas consequentes destas bebedeiras. Mas até aí estava tudo bem. Bem devido a estas brigas que eram mais frequentes do que eu via, quando eu tinha 9 anos meus pais se separaram. Pra mim foi muito dificil, pois na época (1979), näo era uma coisa täo normal como é hoje em dia e eu näo aceitei isto numa boa, fiquei muito mal, mas como tinha só 9 anos fui obrigado a aceitar. Bom daí eu, minha mäe e irmä fomos morar na casa de minha tia, junto com ela e seus seis filhos. Até que com o tempo fui achando até legal pois convivia com um monte de criancas. E meu pai mantinha contato. Ficamos um ano na casa de minha tia, e näo é que minha mäe arrumou um namorado e se casou com ele. Aí comeca a parte ruim. Fui obrigado a conviver com uma pessoa que eu näo aceitava. Ele tinha muito dinheiro e me dava de tudo para fazer com que eu gostasse dele. Mas näo adiantava nada eu destruía tudo que ele me dava e fui crescendo muito revoltado, principalmente porque depois disso meu pai se afastou e quase näo tínhamos contato. Eu estudava nos melhores colégios e era um bom aluno, aliás o melhor até o Segundo colegial. Fiz de tudo para atrapalhar a vida de minha mäe e meu padastro. Roubei ele muitas vezes, roubava grana legal, comprava até bicicleta com o dinheiro que eu roubava, desse jeito comecei a me perder até que, como sempre eu tinha muito dinheiro na mäo, comecei a achar o que fazer com essa grana. Quando estava com 14, 15 anos comecei a comprar cloroformio junto com meus amigos da rua onde morava e praticamente cheiravamos clorofórmio todos os dias, ficávamos desmaiados na calcada. Daí comecamos a comprar uísque e beber, sempre eu que pagava. Me sentia o todo poderoso pois abastecia toda a galera de loucura, e com isso todos me idolatravam. Até que um dia quando estava no terceiro colegial e já näo era mais um ótimo aluno, um grande amigo meu comprou tres baseados enrolados e me pediu pra guardar pra ele. E eu apesar de me achar täo vivido e esperto, peguei e guardei para ele em casa. Aí ele foi uma tarde em casa e me pediu que pegasse um que ele iria fumar. Peguei pra ele e é claro aconteceu o esperado, ele me chamou pra ir com ele. A princípio fiquei morrendo de medo, mas fui é claro, pois tinha que mostrar que era macho e esperto. Fomos até uma quebrada e fumamos. Daí em diante comecei a fumar e logo já comprei meio kilo, pois sempre tinha grana. Aí nem preciso dizer, era só festa, bebedeira e maconha. Bom mas chegou a época dos vestibulares e escolhi um curso que näo tinha em Bauru e que fosse numa cidade bem longe, pois queria distancia de meu padastro e de casa. Como havia sido bom aluno e estudei em bons colégios näo tive dificuldades em passar no vestibular. Passei em Maringá na UEM que é estadual, em engenharia química. Bom fui pra lá e näo demorou muito para me enturmar com os malucos, e daí foi só curticäo. Fiz o primeiro semestre e de seis matérias passei em quatro, até que foi mais ou menos. Vim pra casa na férias e continuei na balada. Aí aconteceu o fato que me fez afundar de vez na vida maldita. Na vespera de eu voltar pra Maringá, minha irmä faleceu saltando de para-quedas com 17 anos de idade (eu tinha 19). Pra mim era o que faltava pra me entregar de vez. Daí em diante passei a beber muito, mas muito mesmo, bebia todos os dias da hora que acordava até a hora de dormir. Voltei pra Maringá e me afundei no alcool e nas drogas. Usei de tudo maconha, LSD, chá de cogumelo, cocaína, e até cola eu cheirava, além do cigarro que já fumava desde os 16. Fiquei em Maringá nesse esquema por tres anos, até que um dia meu pai que estava sumido apareceu por lá pra ver como eu estava na faculdade e viu tudo o que estava acontecendo.Minha mäe se fingia de cega, pois näo queria acreditar no que estava acontecendo. Detalhe 40 dias depois que minha irmä havia falecido meu padastro faleceu vitima de atropelamento. Ou seja, minha vida e a de minha mäe ficaram de cabeca pro ar. Bom meu pai conseguiu me convencer a voltar para Bauru. A faculdade estava parada, fazia dois semestres que eu nem fazia matricula. Voltei pra casa. Eu parecia um bicho do mato, näo tinha horário pra nada e nem um tipo de responsabilidade. Näo conseguia me entender com minha mäe e continuei minha destruicäo voluntária. Minha mäe arrumou alguns empregos pra mim, trabalhei pois tinha que ter dinheiro para comprar as drogas e beber, pois a fonte havia secado com a morte do meu padastro. Eu trabalhava o dia todo e me destruia a noite toda, eu nem sei como eu aguentava, chegava a ficar 5,6 até 7 dias sem dormir e na balada. Prestei vestibular de novo, e passei de novo, agora em Direito na ITE de Bauru. A história se repetiu. Comecei bem, mas sempre tem um bar na frente da faculdade, e lá era onde eu mais frequentava. Vou adiantar um pouco a história pois já estou ficando cansado de escrever. Fiz 3 anos de Direito e parei de novo a faculdade. Nessa fase ja estou com 27 anos, gordo e acabado, com a saude totalmente debilitada. Mesmo assim sempre trabalhei pois tinha que manter minhas loucuras. E näo é que prestei outro vestibular, agora no local onde trabalho até hoje, e passei de novo, agora em Administracäo, estava indo bem, mas entrei numa depressäo profunda. Näo queria mais saber de nada, cheguei a ficar dez dias deitado no meu quarto escuro. Pensava em morrer, e tinha desespero só em pensar em sair dali. Até que entre altos e baixos, tive a idéia de me internar dentro de casa. Minha mäe já estava totalmente desiludida e sem esperancas. Pedi afastamento do trampo, tranquei a faculdade entreguei a chave do carro para minha mäe e fiquei em casa internado. Näo sei explicar o que aconteceu com certeza, mas posso dizer que foi Deus que colocou sua mäo em minha cabeca. O último dia que bebi e usei drogas foi dia 20 de marco de 1999(tinha 29 anos), continuei ainda fumando cigarro, mas parei dia 10 de maio de 1999. Deus me deu essa luz, mas eu tive a incumbencia de manter isto e vencer as recaídas. Agora comeca a parte supreendente e feliz a que me referi no comeco. No dia 12 de abril de 1999, quando estava internado em casa, decidi que tinha que fazer alguma atividade física para me desentoxicar. Peguei o onibus, pois estava sem carro, e fui para o clube onde sou sócio e resolvi nadar. Nesse dia nadei 200 metros e quase morri enfartado. Mas näo desanimei e comecei a ir nadar todos os dias. Eu só saía de casa para nadar e voltava. Comecei a nadar mais e mais e mais e näo parei mais de nadar. Gostei tanto de nadar que comecei a procurar informacöes sobre a natacäo master (acima de 25 anos), e descobri que existiam Associacöes, campeonatos regionais, estaduais, nacionais, sul americanos e até mundiais. Voltando a minha internacäo caseira, fiquei tres meses e comecei a fazer terapia por vontade própria, que deu muito resultado pois quando fui obrigado näo adiantava. Dentro de seis meses já estava trabalhando e estudando de novo. Continuei nadando sozinho e esperei até haver uma competicäo master em minha cidade. Isto aconteceu em Marco de 2000, fiz minha inscricäo junto com um pessoal que conheci nadando no clube. E entäo competi pela primeira vez, e näo é que ganhei 2 medalhas, sendo uma de ouro. E estava nadando com feras do estado todo. Daí por diante minha vida se voltou para a natacäo. Arrumei técnico, fisioterapeuta, nutricionista, etc.... Hoje dia 02/05/2002 faz 3 anos e 43 dias que näo bebo, näo uso drogas, dia 10 faz 3 anos que näo fumo cigarro, e o melhor emagreci 30 kg, tenho um corpo atlético e saudável, continuo trabalhando na Universidade do Sagrado Coracäo, treino de 5 a 6 horas por dia, tenho 75 medalhas de nível regional, estadual e nacional(cheguei a ser vice campeäo brasileiro), terminei o ano de 2001 como o quinto melhor nadador do Brasil de minha categoria e segundo melhor do interior do estado, tenho patrocínios e descobri que a natacäo é o meu caminho. Parei de estudar de novo, mas agora por uma boa causa, näo estava aguentando trabalhar , estudar e treinar. Decidi trabalhar e treinar por enquanto e vou chegar muito longe na natacäo master pois descobri meu rumo só agora. Devo a minha vida a natacäo, pois foi por ela que tive forca nos momentos de recaída(que sempre existiräo para o resto dos dias de um ex viciado, pois a droga é prazer, mas prazer maior é a vida ) e vou sempre me apoiar nela nos momentos difíceis de minha vida. De tudo isso posso dizer o seguinte - Amigos que estäo perdidos ou que querem se encontrar, busquem dentro de voces a forca de que precisam, pois de nada adianta a forca externa se a interna näo corresponde. Todos nós temos uma forca interior muito grande, e ela está aí dentro de voces, nunca percam a esperanca e fé, pois essa forca que está aí só tem um nome Deus. Vivam cada momento de suas vidas, mas lembrem que amanhä é outro dia e tudo pode ser diferente, basta voce acreditar do fundo do seu coracäo. Amem muito suas famílias pois a base de suas vidas está nela. Se alguém tiver afim de bater um papo ou apenas me conhecer, estou a disposicäo, tenho bastante fotos das minhas conquistas nas piscinas e bastante história pra contar(muito mais do que escrevi).É só me escrever. Espero que minhas palavras tenham sido úteis, pois pra mim é ótimo desabafar.
Um abraco DIGA
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